quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Afronta

A cada nova decisão do Supremo Tribunal Federal fica mais evidente a armação do julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão, para atingir o PT e, de tabela, o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Roussef. Agora foi a vez do ministro Marco Aurélio Mello revelar-se afinado com o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, nas decisões que atendem aos interesses do grupo político controlador da chamada Grande Imprensa, cujo comportamento é nitidamente anti-PT ou, mais precisamente, anti-Lula/Dilma: como relator do processo sobre o esquema de cartel e propina no metrô de São Paulo, que envolve os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alkmin, ele decidiu desmembra-lo para ser julgado separadamente, pelo Supremo e pela Justiça paulista, considerando que apenas quatro dos indiciados tem foro privilegiado - os deputados Arnaldo Jardim, Edson Aparecido, José Aníbal e Rodrigo Garcia, os três últimos ocupando atualmente secretarías do governo Alkmin. Esta decisão, embora constitucionalmente correta, contrasta com a decisão tomada pela Corte em 2012, por 9 votos a 2, aprovando parecer do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, contrária ao desmembramento solicitado pelos advogados, embora dos 35 réus apenas quatro tivessem direito a foro privilegiado. E o ministro Marco Aurélio, que agora decide pelo desmembramento do processo envolvendo tucanos, votou contra o mesmo procedimento no caso do mensalão, atropelando a Constituição que o Supremo tem o dever de defender. Como é fácil perceber, é nítida a posição política de parte dos membros da Corte Suprema, cujo atual presidente, longe de agir como magistrado, atuou no julgamento do mensalão como instrumento dos interesses políticos do grupo que controla a Grande Imprensa. E nem se preocupou em disfarçar sua ojeriza ao petismo, o mesmo petismo que o colocou na cadeira do STF. O fato é que a sua atuação, escandalosamente passional, está contribuindo para que a Corte Suprema perca o respeito que sempre teve do povo brasileiro, o que é facilmente constatável pelas críticas ácidas postadas diariamente nas redes sociais. Um internauta chegou a perguntar: "De onde Lula tirou o Joaquim Barbosa? Das profundezas do inferno?" Até então nunca ninguém ousara criticar as decisões do Supremo que, depois do ministro Joaquim Barbosa, se tornaram uma afronta à democracia e um desrespeito à inteligência do povo brasileiro.

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